
Por Julia Gonzatto
Hábitos de Consumo
No início do ano passado, uma pesquisa feita pela Leve – uma fintech de educação financeira – revelou que mais da metade dos brasileiros não consegue se planejar para o futuro. Entre os entrevistados, 52% disseram que não possuem ou não sabem como montar um planejamento financeiro, enquanto 46% não se sentem confiantes para estabelecer metas que sejam de longo prazo.
E os principais motivos para isso? A ausência de conhecimento sobre finanças e o baixo orçamento mensal do brasileiro médio.
No geral, o Brasil sempre foi um país que teve que lidar com a falta de educação financeira na formação, com uma cultura mais consumista do que consciente na hora de poupar. Mas se essa realidade ainda se mantém, por que a consultoria EY-Parthenon, em seu mais recente levantamento, descobriu que 82% dos brasileiros prestam sim atenção em suas finanças e, por isso, se preocupam com seu dinheiro?
Pois é! Novos dados revelam que, talvez, o brasileiro esteja começando a mudar seus hábitos de consumo – de forma mais rápida e eficiente. E o que pode ser atribuído como principais motivos dessa mudança e nova preocupação? Os três fatores mais citados na pesquisa foram:
- Conflitos geopolíticos, como a Guerra da Ucrânia e o conflito entre Israel e Hamas;
- Aumento da pressão inflacionária;
- Interrupções nas cadeias de suprimentos, como aconteceu durante a pandemia de COVID-19, por exemplo.
Se a média brasileira ainda não parece tão alta assim pra você, saiba que, globalmente, esse número é de 80% – ou seja, o Brasil está mais preocupado com suas economias que a média dos outros 27 países entrevistados para o estudo.
É claro que grandes mudanças não acontecem de uma hora para outra. Esse caminho é longo, e apesar de ter sido acelerado por eventos recentes, não significa que a educação financeira não precise mais ser incentivada. O cenário nacional de preços mais altos e orçamento apertado pode justamente fazer com que os consumidores voltem as atenções para suas economias e também revejam as prioridades na hora de gastar.
Segundo a EY-Parthenon, muitos já pensam de maneira mais cuidadosa a respeito dos produtos que realmente precisam comprar. 54% dos brasileiros estão cortando itens não essenciais das suas despesas e 45% experimentando marcas mais baratas a fim de reduzir seus custos.
Também é curioso observar que essa não é uma mudança que se restringe a aqueles que possuem pouco dinheiro, mas sim atinge brasileiros de todas as classes sociais.
E você, anda prestando mais atenção aos seus gastos? Ou ainda vive como se cada dia fosse o último?
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