
Por Julia Gonzatto
Chegam ao fim as transações via DOC e TEC.
Provando que sim, é possível morrer por carência e falta de atenção, duas das mais tradicionais modalidades de transferência de dinheiro, o Documento de Ordem de Crédito (DOC) e a Transferência Especial de Crédito (TEC) estão com os dias contados.
Desde que o PIX surgiu no final de 2020, e ganhou notoriedade nos anos seguintes, os outros métodos de transferência foram deixados de lado por grande parte dos brasileiros, que hoje em dia optam por utilizar o método criado pelo Banco Central do Brasil para resolver todas as suas pendências e pagamentos. Isso porque o PIX se destaca de seus irmãos através três grandes qualidades: a instantaneidade, a gratuidade e a falta de limite.
Enquanto o envio de dinheiro através de um DOC pode demorar até um dia útil para cair na conta do destinatário, o recebimento pelo PIX é imediato. Além disso, diferente das outras modalidades, o PIX não possui limite de quantia a ser enviada, ou cobra por cada transação, enquanto tanto na TEC quanto no DOC o valor máximo de transferência é de R$4.999,99 e os bancos costumam cobrar entre R$8 e R$22 por movimentação.
Os dados não mentem:
Um levantamento feito pela Febran, a Federação Brasileira de Bancos, no início desse ano mostra que das 37 bilhões de operações financeiras feitas em 2023 no Brasil, apenas 18,3 milhões delas foram via DOC (aproximadamente 0,05% do total). Em contraste, foram 125 milhões de cheques, 448 milhões de TECs, 2,09 bilhões de boletos, 8,4 bilhões de pagamentos no cartão de crédito e 17,6 bilhões de PIXs.
O funeral já tem data:
O fim das modalidades já havia sido anunciado em meados de 2023, mas agora ganhou uma data oficial.
A Febran informou que o limite para envio de DOCs e TECs é dia 15/01, às 22h. Já os agendamentos vão até o dia 29/02, que é a data limite que as instituições financeiras possuem para processar os pedidos de seus clientes.
Dar fim aos DOCs após quatro décadas de operação é um grande passo em direção a digitalização da economia brasileira e a evolução dos meios de pagamento, que priorizam cada vez mais a praticidade e a conectividade.
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