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- Vini Jr e racismo: a vida além das 4 linhas do gramado

Por Fabi Mariano
O racismo gera uma perda imensurável para a sociedade no âmbito político, cultural, histórico e econômico. O caso do último domingo, com o jogador mais bem pago da seleção brasileira na última Copa do Mundo, Vinícius Junior, evidencia que há, ainda, muito para se conquistar nessa causa tão importante.
O jogador foi alvo de ofensas racistas por parte da torcida rival no jogo entre Real Madrid e Valencia, no campeonato na LaLiga, na Espanha. Após posicionamento contundente do atleta, a pauta tomou o espaço que merece e se tornou discussão ampla, envolvendo entidades superiores do esporte, artistas, personalidades e governos de diferentes países, em especial Brasil e Espanha. Homenagens e apoio irrestrito estão sendo divulgados em redes sociais e mídias para o jogador.

Além de todo impacto negativo no futebol, o racismo também ocasiona perda econômica. Não que seja necessário argumento extra para repudiar tais atitudes, mas falar como esse crime impacta o desenvolvimento econômico nos ajuda a estender a luta contra a prática discriminatória.
Pesquisa realizada nos EUA pela McKinsey & Company estima que a perda para o país em razão do racismo seja de 4 a 6% do PIB norte-americano, em números, significa uma perda entre U$1 trilhão e US$1,5 trilhão nos próximos 10 anos.
O assunto do impacto na economia de práticas discriminatórias não é recente. Em 1957, o ganhador do prêmio Nobel de economia de 1992, Gary Becker, publicou o estudo “The Economics of Discrimination”. Já em 1973 o artigo foi reescrito por Keneth Arrow que considerou novos dados sobre o tema. Em ambos os casos, a pesquisa comprova que empresas e negócios com menos práticas discriminatórias se desenvolvem melhor, pois conseguem identificar com maior facilidade o que realmente impacta na produtividade dos trabalhadores. A atualização da teoria endossa que empresas racistas têm maior probabilidade de falência.
De acordo com o estudo “Are Firms that Discriminate more likely to go out of Business?”, 16% dos negócios menos discriminatórios faliram, contra 36% dos que praticavam algum tipo de preconceito. A reflexão evidencia como procurar empresas que possuem políticas inclusivas pode afetar investimentos e retornos. Já de acordo com a ONU, o racismo é sim um problema econômico que gera desigualdade e segregação, impactando toda a economia com um alto custo social.
O episódio do último domingo não passará impune para a LaLiga. De acordo com especialistas em marketing esportivo, a marca, avaliada em 4,8 bilhões de euro está perdendo valor no mercado por não combater de forma efetiva e clara as manifestações racistas em jogos promovidos pela instituição.
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