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- A revolução das máquinas já começou!

Por Juliana Magano
E a próxima vítima pode ser você!
Se você já pediu para a IA organizar seu cronograma, fazer a lista de compras da semana, criar a legenda do seu post ou escrever aquele e-mail que estava empacado há dias… parabéns, você está participando, com entusiasmo, da revolução das máquinas. As inteligências artificiais generativas, como o ChatGPT, entraram no nosso cotidiano de forma tão natural que já parece difícil lembrar como era antes. E não dá pra negar: elas facilitam (muito!) a nossa vida. Com poucos comandos, resolvemos tarefas, organizamos ideias e ganhamos tempo.
Mas é exatamente aí que mora o risco. Um estudo recente do MIT ligou o sinal de alerta: quando usamos a IA como “bengala” cognitiva, nossa mente desliga. Participantes que escreveram textos com ajuda do ChatGPT tiveram menor engajamento neural, menos criatividade e dificuldade de lembrar o que produziram. Em outras palavras, a IA estava lá, mas quem não estava era o cérebro. Os textos eram considerados “sem alma”, e muitos participantes passaram a simplesmente copiar e colar. O estudo sugere que, se formos sempre guiados pela máquina, perdemos não só autonomia, mas a habilidade de pensar com profundidade.
Mundo acelerado!
E o problema não para por aí. Basta abrir o celular para se deparar com vídeos curtos, acelerados e envolventes. O algoritmo entrega, a gente consome. A nova febre são vídeos em 2x, um hábito que já virou rotina para 89% dos jovens universitários, segundo uma pesquisa americana. Parece inofensivo, mas o cérebro discorda: assistir conteúdo nesse ritmo pode reduzir drasticamente a retenção das informações. Estudos mostram que, acima de 1,5x, a queda de desempenho é significativa. O motivo? A memória de trabalho não acompanha. Resultado: a gente “vê” mais, mas absorve menos.
Não é à toa que até a atriz Taís Araújo viralizou ao comentar que essa geração não tem mais paciência para novelas. Tudo precisa ser rápido, resolvido em segundos, sem espaço para a construção da narrativa. O problema é que o pensamento profundo também precisa de tempo, e o excesso de estímulo rápido pode estar nos tornando incapazes de sustentar atenção, lidar com o tédio e aprender com o processo.
Isso não quer dizer que a IA seja vilã. Muito pelo contrário. Ela pode ser uma aliada poderosa, se usada com consciência. A revolução já começou, sim. Mas quem escolhe se ela será um filme de ficção científica ou um drama humano, ainda somos nós. O segredo está no equilíbrio: usar a tecnologia a nosso favor, sem abrir mão daquilo que só a mente humana pode entregar reflexão, originalidade e a coragem de pensar por conta própria.
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