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- Especial: A crônica do Luiz

Por Luiz Pelegrineti
“FALA MUITO!” Tite, ADENOR.
“Segunda, sem falta, eu falo com você. Essa semana vai ser uma loucura, mas você vai estar aqui por perto, certo? Então, maravilha, a gente se fala assim que der. Pode deixar, até o final do mês, juro! “
“Como que eu vou falar isso pra ele? Vai que ele me entende mal. Eu preciso encontrar uma forma de falar isso sem que ele me interprete de uma forma negativa. Como eu fui me colocar nessa situação? Por que sobrou logo pra mim isso? Quero colocar minha cabeça num buraco, igual a um avestruz.”
Com a faca e o queijo na mão, a gente em geral falha na hora da comunicação. Seja por medo, timidez, preguiça ou qualquer outro motivo que a gente invente. E olha que a gente é bem criativo para postergar as conversas que não queremos ter. Independentemente do tema da conversa, se temos segurança sobre o assunto, domínio sobre a situação ou o completo oposto, aquela base 0 sobre o que vai ser dito, sem ideia do que vão falar com a gente. Só de ouvir: “Preciso falar urgentemente com você” dá um calafrio, tremedeira e uma série de pensamentos de coisas horríveis que não necessariamente vão acontecer. Sofremos por antecedência na maior parte das vezes.
Sem nem ao menos ter falado com aquela pessoa, ou escutado o que o outro tinha a dizer pra gente, o sofrimento vem. Mas, se pararmos para pensar, não há nada tão ruim que não possa piorar, certo? Pessimismo meu? Vou explicar.
A comunicação, se feita de forma transparente, com objetivos claros, de forma estruturada, foco no crescimento mútuo e principalmente repleta de boa vontade, não tem o porquê a gente sofrer, não tem porque ter dor. Diferente disso, não é comunicar, é fofocar, fazer intriga ou ofender. Comunicar, conversar e papear tendem a nos levar para um lugar melhor.
Mas, pera, e aquele papo de que não podia piorar? É muito pior quando não temos a oportunidade de conversar. Quando perdemos essa chance.
Muito se fala da dor do arrependimento, seja para falar de disciplina ou de decisões que não tivemos aquela coragem para tomar. Mas, para comunicar, a gente não precisa ter essa dor. Não podemos perder as oportunidades de falar, comunicar, nos fazer entender, trocar informações, colocar todos na mesma página. A faca e o queijo na mão, bora!
Muitas vezes a gente só dá valor quando perde, quando é tarde demais ou quando não é possível.
E de onde veio a vontade de falar sobre isso, logo eu, que sou tão comunicativo? Como alguns sabem, tenho um filho autista, o Leo. Ele tem 4 anos e ainda não fala, começou a soltar algumas palavras recentemente, mas não se comunica efetivamente. Esse final de feriado que passou, ele teve dor, e não soube explicar ou entender o que queríamos saber dele. A comunicação de fala e escuta não foi eficiente, e não por não querer, mas por não termos a possibilidade. Foram 4 dias de muito choro mútuo por não conseguirmos nos comunicar. Doeu. A gente aprende e passa a valorizar o que muitas vezes é dado por garantido. Leo está bem agora.
Seguimos sem nos comunicar com palavras, mas os abraços, olhares e sorrisos nos preenchem de amor. É outro tipo de comunicação. É a única que temos atualmente.
Então, se você tem a chance de falar e de ouvir o outro, faça. Se arme de transparência, objetivos e boa vontade e fale e escute e se comunique. Não deixe para dar valor quando não for possível.
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