
Por Gustavo Badia
O que esperar do mercado americano no 2º semestre?
O mercado americano enfrentou um primeiro semestre desafiador em 2025, marcado por uma combinação de fatores internos e externos que influenciaram diretamente o humor dos investidores. Internamente, os comentários e imposições do presidente Donald Trump continuam gerando incertezas, principalmente no que diz respeito à condução da política econômica e à estabilidade institucional. Esses ruídos contribuem para um ambiente menos previsível, o que naturalmente afeta a tomada de decisão dos investidores.
No cenário externo, o avanço acelerado de empresas chinesas de inteligência artificial surpreendeu o mercado. Um exemplo claro foi o caso da DeepSeek, que apresentou soluções tecnológicas robustas e competitivas, ainda não precificadas pelos analistas, gerando uma reavaliação das perspectivas para o setor de tecnologia. Além disso, os conflitos geopolíticos em diferentes regiões do mundo seguem adicionando uma camada de instabilidade global que respinga diretamente sobre os ativos americanos.
Diante desse contexto, um dos principais questionamentos que permanece em aberto é: até onde o mercado americano pode continuar se expandindo? Desde a pandemia, os Estados Unidos registraram um fluxo expressivo de capital para os fundos de ações, com aportes que ultrapassaram U$ 1,2 trilhão, frente a apenas U$ 0,2 trilhão no resto do mundo (Fonte: BofA Global Investments). Esse movimento reforça o apetite por risco e a confiança no mercado americano, mas também levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse crescimento.
O momento exige cautela e discernimento por parte dos investidores, que precisam equilibrar as oportunidades que ainda existem com os riscos que começam a se intensificar.
Olhando especificamente para as Magnificent 7 temos:
Nvidia
A NVIDIA apresentou resultados sólidos no 1T25, com forte crescimento em receita (+69%), lucro operacional (+28%) e lucro líquido (+26%), impulsionados pela demanda por chips de IA e data centers — especialmente com a rápida adoção da arquitetura Blackwell. No entanto, uma baixa contábil de US$ 4,5 bilhões devido às restrições de exportação para a China reduziu a margem bruta e levou o lucro por ação ajustado a ficar abaixo do esperado segundo a Levante (US$ 0,81 vs. US$ 0,93) .
Meta
A Meta teve um 1T25 forte, com alta de 16% na receita (US$ 42,3 bi), 27% no EBITDA e 35% no lucro líquido (US$ 16,6 bi), impulsionada pelo crescimento dos usuários ativos (3,43 bi) e pela eficiência operacional (margem de 41%). O avanço em IA, com a Meta AI perto de 1 bi de usuários mensais, reforça seu potencial de monetização futura.
Apesar disso, há desafios: prejuízo de US$ 4,3 bi com Reality Labs, alto Capex (US$ 64–72 bi) que pode pressionar o caixa, e riscos regulatórios em privacidade e publicidade digital.
Segundo a Levante, a recomendação segue positiva, mas é importante monitorar os riscos ligados ao Metaverso, regulação e cenário macro. A longo prazo, a empresa segue bem posicionada no setor de tecnologia e IA.
Apple
A Apple teve um 1T25 sólido, com crescimento de 5% na receita (US$ 95,4 bi), EBITDA (US$ 29,5 bi) e lucro líquido (US$ 24,5 bi). O destaque foi o segmento de serviços, que cresceu 12% e atingiu recorde de US$ 26,6 bi, além do bom desempenho de Macs e iPads. A recompra de ações de US$ 110 bi e o aumento de dividendos reforçam a confiança da empresa em sua geração de caixa.
Por outro lado, a Apple enfrenta desafios como queda de 5% na receita de wearables, estabilidade das vendas na China, tensões comerciais EUA-China e riscos relacionados à alta dependência do iPhone.
Também vale destacar que o mercado ainda penaliza a Apple pela sua estratégia de IA e uma eventual sensibilidade as políticas tarifarias do Trump
Segundo a levante a recomendação é neutra: a Apple segue forte no longo prazo, mas o cenário atual exige cautela diante dos riscos macroeconômicos e competitivos.
Amazon
No 1T25, a Amazon apresentou resultados sólidos, com crescimento de 9% na receita (US$ 155,7 bi), 20% no EBITDA e 27% no lucro líquido (US$ 16,4 bi). O bom desempenho foi impulsionado pela AWS (+17%, com margem de 39%) e pela receita de publicidade (+18%), reforçando sua liderança em nuvem, IA e monetização digital, porém o ritmo de expansão do e-commerce tem levantado questionamentos.
A empresa também mostrou ganhos operacionais e segue investindo fortemente em infraestrutura. No entanto, enfrenta desafios como restrições no fornecimento de chips, forte concorrência no e-commerce e pressões regulatórias globais.
Com projeção de crescimento moderado (5% a 8% para o 2T25), a recomendação da Levante permanece positiva no longo prazo, mas exige monitoramento dos riscos operacionais, regulatórios e macroeconômicos.
Tesla
No 1T25, a Tesla teve um trimestre fraco, com queda de 9% na receita (US$ 19,3 bi), 66% no EBITDA e 71% no lucro líquido, impactada por interrupções na produção, aumento de custos com IA e a ruptura da relação entre Musk e o presidente dos EUA.
Apesar de ainda liderar o mercado de veículos elétricos e mostrar avanço em armazenamento de energia, a empresa enfrenta forte concorrência (como a BYD), tensões geopolíticas e desgaste de imagem.
A recomendação da Levante é neutra, com foco na necessidade de recuperação de demanda, avanço em IA e gestão da reputação para destravar valor no médio prazo.
Microsoft
A Microsoft apresentou resultados sólidos no 1T25, com alta de 17,7% na receita, que atingiu US$ 70,1 bilhões, e crescimento de 13,3% no lucro por ação ajustado, chegando a US$ 3,46 ambos acima das estimativas do mercado. O grande destaque foi a Azure, que cresceu 33% em receita, também superando as projeções. A receita total da divisão Microsoft Cloud avançou 20,8%, alcançando US$ 42,4 bilhões.
Todos os segmentos da companhia registraram desempenho acima do esperado, com destaque adicional para os segmentos de Produtividade (Office e LinkedIn) e Computação Pessoal (Windows, Gaming e Surface). Apesar de um capex mais elevado, o mercado reagiu positivamente aos resultados, impulsionado pelo otimismo com as soluções em inteligência artificial e a resiliência da empresa frente ao cenário econômico global.
Alphabet
A Alphabet divulgou resultados fortes no 1T25, com alta de 12% na receita (US$ 90,2 bi) e expressivo crescimento de 48,7% no lucro por ação ajustado (US$ 2,81), ambos acima das expectativas. O desempenho foi impulsionado pelo Google Ads, que cresceu 8,5%, enquanto o Google Cloud avançou 28,1%, mas ficou levemente abaixo do esperado.
Apesar de pressões do cenário regulatório com decisões antitruste nos EUA, a empresa anunciou aumento de dividendos (+5%) e autorizou US$ 70 bi em recompra de ações. A aposta em IA full-stack segue como pilar de crescimento estratégico.
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